quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Satisfação

É com prazer que compartilhamos com todos, os textos selecionados para a etapa estadual  da 4ª Edição da Olimpíada de Língua Portuguesa dos alunos da E. E. 29 de Março, Portalegre-RN. Na sequência, apresentamos o poema, o texto de memórias literárias e a crônica que foram escolhidos pela comissão municipal.
Não deixem de ler!

Poema: Cidade do Coração
Autora: Júlia Evelyn Anastácio Règo (6º ano)
Professora: Maria Ecilene Barbosa 

A minha cidade
É uma Portalegre do sertão
Um lugar maravilhoso
Que amo de montão

Fica numa serra
Do nordeste potiguar
De beleza encantadora
É o meu lindo lugar

Uma coisa que me encanta
É a sua natureza
Povo muito acolhedor
Digo isso com firmeza

Tem muitas coisas boas
Que nem dá pra comparar
Nela tem pontos turísticos
Que agora vou citar:

Tem uma cachoeira
Que muito me fascina
É um bonito lugar
A cachoeira do pinga

Aqui tem dois mirantes
Com uma vista linda
Ambiente natural
Grama verde e um bom clima

Tem também a bica
Canto de extrema beleza
Tem flores, pássaros e água limpa
Que encantam a natureza

Tem o hotel
para o turista ficar
Lá tem até piscinas
Para quem quiser nadar

Aqui a melhor festa
É a festa de São João
Essa sim é uma festa 
Que arrasa o coração

Na minha escola
O aprendizado vem primeiro
Tenho mesmo é que estudar 
Pra aprender o ano inteiro

Minha cidade é um paraíso
Um paraíso serrano
Guardo no meu coração
A| cidade que tanto amo.


Memórias Literárias: Revivendo o passado em minha serra querida
Autor: Ariano Delfino Damião (8º ano)
Professora: Jaciara Limeira de Aquino

Hoje me passou pela cabeça tudo o que aconteceu na minha vida. Eu me chamo Antonio de Moura, tenho 100 anos e 4 meses, nasci e cresci na roça, trabalhava muito para ajudar meus pais.
Meu pai e minha mãe nunca esconderam a realidade da vida para mim, tinha que trabalhar na roça para adquirir os alimentos necessários para a vida e mesmo sendo um trabalho pesado, tinha que fazer, porque era minha única opção, pois minha família não tinha condições, tinha que usar as roupas dos outros, camisa de mangas compridas e calças sociais que as pessoas me doavam de bom coração ou por pena.
Vivi no Sítio Bom Jardim, comunidade rural do município de Portalegre, a minha maior alegria era a época da colheita de feijão e milho, porque nós tínhamos fartura e também realizávamos comemorações, que embora simples, eram carregadas de felicidade.
Sou analfabeto, nunca fui à escola, também tive poucas oportunidades. Nós éramos muito pobres. Nossa casa era feita de taipa, desde pequeno morei com minha família aqui nessa cidade serrana do Alto-Oeste, pacata e ao mesmo tempo gigante em belezas. Quando um de nós ficava doente, o jeito era se valer das plantas medicinais, pois na época não existia médico atendendo com disponibilidade, nem muito menos posto de saúde como os de hoje.
Quando queríamos água, o jeito era pegar o jumento, nosso meio de transporte e de trabalho, ir a cacimba para tomarmos banho, lavarmos a louça e matarmos a nossa sede. No comércio, meus pais só compravam de ano em ano, só quando a safra do caju chegava para vender as castanhas e comprar alimentos como: macarrão e etc. Enquanto isso, nos conformávamos com o pouco que tínhamos.
Mesmo assim, sempre gostei de trabalhar com meus pais, eles me ensinaram a ser uma pessoa de bem... A educação que recebi deles, nenhum outro ser poderia me dar. Seus valores, seus conselhos, tudo muito valioso para a minha vida.
Enfim, a vida mesmo não sendo feita apenas de vitórias e também de derrotas, e apesar das dificuldades que enfrentamos, venci muitos obstáculos. Se sou hoje um homem de bem, devo isso aos meus pais e a tudo que já passei nessa vida. Não troco minha cidade por nenhuma outra, foi aqui que, apesar das dificuldades, cresci, formei uma família e me tornei quem eu sou.


Crônica: Encantos Desiguais
Autora: Alexsandra de Freitas Nobre (9º ano)
Professora: Jaciara Limeira de Aquino

No mês de junho, a minha cidade toda se reúne e fica aquela expectativa com a chegada da tradicional festa junina, as pessoas se animam para assistir as quadrilhas e dançar forró até o dia amanhecer.
Muitas pessoas vêm de cidades vizinhas só para se deliciar com as comidas típicas, não é a toa que o nosso São João é considerado um dos melhores do Alto-Oeste, pois a alegria e o clima contagioso que Portalegre oferece, não há em mais nenhum lugar da face da terra.
Enquanto as pessoas estavam comemorando com trajes luxuosos e brilhantes a festa junina, existia outra realidade: meninos inocentes que em suas faces expressavam muita tristeza, sofrimento e miséria.
Isso me faz pensar que se seus pais tivesses estudado, os mesmos não precisariam catar latinhas em festas para no outro dia ter o que comer. Além de ser doloroso para as crianças, o que mais me deixou triste foi o olhar indiferente das outras pessoas, como se estivessem olhando com repugnância. Como eu não podia fazer nada, naquele momento apenas refleti comigo mesma.
Apesar disso tudo, algumas pessoas ainda são extremamente acolhedoras e de corações transparentes, estes não medem esforços para ajudar o próximo, mesmo não o conhecendo. Mesmo assim, na maioria das vezes, permanecemos imóveis diante de realidades como essas.
Segundo os turista, Portalegre é um paraíso, pois a cidade conta com vários patrimônios, tando culturais como naturais. Mas, para mim muita coisa ainda precisa ser mudada, como por exemplo, a compaixão para com os que precisam. O trabalho daqueles meninos merece uma atenção especial.
Os turistas se maravilham com a cachoeira do "pinga" que é um lugar lindo e calmo, vão aos mirantes almoçar e se deslumbrar com a bela paisagem. A "bica", nem se fala! Pois, é uma fonte de água corrente natural, onde viviam tribos indígenas há muitos anos atrás. Mas por outro lado, existem desencantos que nunca sairão da minha cabeça.
Por todos os seus encantos, Portalegre não é para mim uma cidade como outra qualquer. Ela é um coração enorme, cheio de amor, esperança, prosperidade. Pode parecer um sonho, mesmo com tudo o que vi e senti naquela festa, ainda credito na beleza do meu lugar, não só na beleza turística e natural, mas, principalmente, na beleza de sua gente.

Parabenizamos aos alunos, aos professores e a escola e, desejamos, que isso possa servir de incentivo para maiores aprendizados!

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